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Orforglipron supera semaglutida oral em estudo de fase 3 para diabetes tipo 2 e perda de peso

Médico conversando com paciente enquanto segura um comprimido em consultório com tablet e remédios na mesa.

Podemos estar diante de um novo destaque entre os comprimidos capazes de controlar tanto os níveis de açúcar no sangue quanto a perda de peso.

O que são os medicamentos GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1)

Os fármacos GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) recebem esse nome por imitarem um hormônio natural do organismo. De modo geral, eles ajudam a reduzir o apetite e a estimular a liberação de insulina, o que contribui para que o corpo processe a glicose com mais eficiência.

A semaglutida, ingrediente ativo de tratamentos como Wegovy e Ozempic, tornou-se um grande sucesso no enfrentamento do diabetes e da obesidade. Ainda que exista em forma de comprimido, ela costuma ter melhor desempenho quando administrada por injeção.

Estudo de fase 3 ACHIEVE-3: orforglipron versus semaglutida oral

Em um ensaio clínico de fase 3, o orforglipron tomado uma vez ao dia superou os comprimidos de semaglutida, que são a versão oral mais conhecida dos medicamentos GLP-1.

Os resultados, divulgados por uma equipe internacional de pesquisadores e financiados pela Eli Lilly, indicam que o orforglipron pode se tornar uma alternativa oral de referência. Entre 1.698 participantes, quem recebeu orforglipron apresentou maior melhora no controle do açúcar no sangue e uma perda de peso média mais elevada (6–8 por cento, em comparação com 4–5 por cento com comprimidos de semaglutida).

“Juntamente com pesquisas anteriores, os resultados do estudo ACHIEVE-3 sugerem que o orforglipron representa um avanço importante no cenário do tratamento oral para o diabetes tipo 2”, escrevem os pesquisadores no artigo publicado.

O interesse em torno do orforglipron vem crescendo: outro ensaio de fase 3 realizado no ano passado já havia mostrado resultados expressivos com o medicamento, embora naquele caso a comparação tenha sido com um placebo, e não com a semaglutida.

Ensaios de fase 3 são vistos como um passo decisivo antes de um medicamento chegar ao público. Eles incluem grupos maiores do que os estudos de fase 1 e 2, acompanham benefícios e riscos e fazem comparações diretas com outras opções terapêuticas.

Neste trabalho, os participantes foram recrutados em 131 centros de pesquisa médica diferentes e acompanhados por um ano. O estudo foi direcionado especificamente a pessoas com diabetes tipo 2, embora existam planos de desenvolver o fármaco também como tratamento para obesidade no futuro.

Além do desempenho observado, o orforglipron traz uma vantagem prática em relação à semaglutida: não precisa ser tomado em jejum, o que tende a facilitar a rotina de quem recebe a prescrição.

Efeitos colaterais, interrupções e próximos passos

Nem todos os sinais foram positivos para o orforglipron. Durante o ensaio, mais pessoas interromperam o uso do orforglipron (9–10 por cento) do que da semaglutida (4–5 por cento), principalmente por efeitos colaterais descritos como “problemas gastrointestinais”.

“Embora os perfis de segurança de orforglipron e semaglutida tenham sido, em geral, consistentes com a classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a incidência de eventos gastrointestinais, as descontinuações por eventos adversos e o aumento médio da frequência de pulso foram maiores com orforglipron do que com semaglutida oral”, escrevem os pesquisadores.

Antes que o orforglipron fique disponível amplamente, será necessária aprovação regulatória - mas o processo parece estar se aproximando desse ponto. O medicamento também está sendo avaliado como uma forma de melhorar a saúde cardiovascular, algo que também já foi observado com a semaglutida.

Há motivos consistentes para acreditar que o orforglipron possa ser ainda mais eficaz do que a semaglutida no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Esses achados se somam a um conjunto crescente de evidências de que os medicamentos GLP-1 oferecem diversos outros benefícios à saúde.

Ainda assim, os remédios já disponíveis no mercado também foram associados a efeitos adversos importantes: o Wegovy, por exemplo, já foi ligado no passado a problemas de saúde mental e a danos ao pâncreas.

Como sempre, é essencial que esses medicamentos - por mais convenientes e eficazes que pareçam - sejam desenvolvidos com a segurança do paciente como prioridade. Estudos como este existem justamente para detalhar melhor essa relação entre riscos e ganhos, permitindo que médicos e órgãos reguladores avaliem quando os benefícios superam os riscos.

“Em conclusão, o orforglipron oral foi não inferior e superior à semaglutida em termos de eficácia, com melhorias significativas no controle glicêmico e na redução de peso em comparação com a semaglutida oral em pacientes com diabetes tipo 2, além de maiores melhorias em fatores de risco cardiometabólicos e administração simplificada”, escrevem os pesquisadores.

A pesquisa foi publicada na revista The Lancet.

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