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Obesidade em adolescentes nos Estados Unidos sobe e menos jovens tentam emagrecer

Adolescentes em refeitório escolar servindo pizza, hambúrguer, frutas e salada em bandejas.

Mais adolescentes nos Estados Unidos estão ganhando peso. Ao mesmo tempo, uma parcela menor diz estar tentando emagrecer. A combinação desses dois movimentos acende um alerta importante.

Como muitos comportamentos consolidados na adolescência tendem a se manter na vida adulta, essa mudança tem impacto maior do que parece à primeira vista.

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina Charles E. Schmidt, da Universidade Atlântica da Flórida, acompanhou estudantes do ensino médio ao longo de dez anos.

Os autores analisaram dados da Pesquisa sobre Comportamentos de Risco entre Jovens, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Os resultados apontam uma transformação nítida tanto no peso quanto nas atitudes relacionadas a ele.

A obesidade segue aumentando entre adolescentes

O avanço da obesidade ocorreu de forma contínua, ainda que aos poucos. Em 2013, cerca de 13.7 percent dos estudantes estavam na faixa de obesidade. Em 2023, o índice chegou a 15.9 percent. O pico do período apareceu em 2021, com 16.3 percent.

Para classificar isso, os médicos usam o índice de massa corporal, o IMC. O cálculo leva em conta altura e peso, mas também ajusta a interpretação por idade e sexo. Ao ultrapassar um ponto de corte, o adolescente passa a ser enquadrado como obeso.

Mesmo quando a alta parece pequena, ela representa um número muito maior de estudantes expostos a riscos de saúde.

Os impactos na saúde vão além do corpo

Carregar peso extra durante a adolescência afeta o organismo e também a saúde mental. Entre os efeitos físicos, aumenta a probabilidade de diabetes, pressão alta e problemas de sono.

Em paralelo, a autoconfiança pode cair. Muitos adolescentes enfrentam baixa autoestima ou tristeza. Esses quadros podem persistir na vida adulta e comprometer o bem-estar de maneira ampla.

Por esse motivo, especialistas tratam a obesidade na adolescência como um problema de saúde relevante.

Diferenças entre grupos

Os dados indicam que o risco não é igual para todos. Adolescentes negros e hispânicos apresentam as maiores taxas de obesidade, muitas vezes próximas de 20 percent ou mais.

Entre adolescentes asiáticos, as proporções são menores, mas ainda assim cresceram com o passar do tempo.

A série escolar também pesa. Em 2023, estudantes do 11º ano registraram a maior taxa de obesidade. Já os do 9º ano também exibiram um aumento evidente em comparação com anos anteriores.

Em conjunto, esses padrões reforçam que ambiente e estilo de vida têm grande influência.

Os números de sobrepeso mostram um quadro misto

A parcela de estudantes com sobrepeso diminuiu no período - de 16.6 percent em 2013 para 14.7 percent em 2023.

Essa redução ocorreu principalmente entre alunos do sexo masculino. À primeira vista, isso poderia soar como melhora. No entanto, o crescimento da obesidade aponta para outra leitura.

Parte dos estudantes parece ter migrado da categoria de sobrepeso para a de obesidade, o que eleva o nível de risco.

Menos adolescentes dizem estar tentando emagrecer

Outra mudança importante aparece no comportamento. Hoje, menos adolescentes relatam estar tentando perder peso. Em 2013, cerca de 47.7 percent afirmavam fazer esse esforço. Em 2023, o índice caiu para 44.5 percent.

As meninas ainda declaram tentar emagrecer mais do que os meninos. Mesmo assim, essa disposição diminuiu ao longo do tempo. Por exemplo, entre as garotas, as tentativas de perda de peso recuaram de cerca de 62.6 percent para 55.1 percent.

A queda mais acentuada surge no 10º e no 12º ano. Em geral, a motivação parece enfraquecer conforme os estudantes ficam mais velhos.

Especialistas demonstram preocupação

Profissionais de saúde enxergam essas tendências como graves.

“Nos Estados Unidos de hoje, as taxas de obesidade em adolescentes continuam a subir enquanto as tentativas de perda de peso diminuíram de forma constante”, disse o Dr.Charles H. Hennekens, coautor do estudo.

“Esses achados destacam desafios clínicos e de saúde pública cada vez maiores e ilustram a necessidade urgente de intervenções direcionadas.”

O alerta reforça que o tema exige atenção imediata.

Por que o comportamento está mudando

Vários fatores ajudam a explicar esses padrões. As redes sociais influenciam a forma como a imagem corporal é construída. Além disso, mudanças nas ideias sobre aparência também interferem em como adolescentes interpretam o próprio peso.

Alguns estudos apontam que a insatisfação corporal entre meninas diminuiu. Embora isso possa reduzir estresse, também pode enfraquecer o impulso para adotar ações voltadas à saúde.

Entre meninos, o objetivo muitas vezes se desloca para ganhar massa muscular em vez de emagrecer. Isso sugere metas diferentes, mesmo quando os riscos continuam presentes.

Caminhos para reduzir a obesidade entre estudantes

Um apoio melhor pode ajudar a reverter o cenário. Escolas podem oferecer orientações simples e aplicáveis sobre alimentação, atividade física e saúde mental. Muitos estudantes ainda não contam com diretrizes claras.

As comunidades também precisam facilitar o acesso a alimentos saudáveis. Em várias regiões, redes de fast-food são mais fáceis de encontrar do que opções frescas. Espaços seguros para prática de atividade física também podem fazer diferença.

Iniciativas do CDC, como o programa estadual de Atividade Física e Nutrição, buscam apoiar esse tipo de mudança.

Riscos futuros da obesidade na adolescência

O desenho geral é consistente: mais adolescentes estão se tornando obesos e, ao mesmo tempo, menos estão tentando controlar o peso. Essa combinação amplia os riscos de saúde no futuro.

“Embora mais pesquisas sejam necessárias, esses dados têm implicações para médicos e profissionais de saúde pública”, disse Hennekens.

“Esses padrões ressaltam a necessidade de estratégias clínicas e de saúde pública para enfrentar os desafios em adolescentes nos Estados Unidos e prevenir morbidade e mortalidade futuras.”

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